sábado, 16 de abril de 2016

** A Família !!


Família... Alicerce  para uma vida bem sucedida !!

Eu e meu esposo passamos por momentos de muitas tribulações no nosso relacionamento, e a chegada do Pedro mudou tudo, fortaleceu a nossa relação. Nós decidimos que teríamos que nos unir para ajudar nosso filho a superar as limitações que ele iria enfrentar.

A união entre os pais faz com que a criança se sinta protegida, assim conseguirão vivenciar as experiências no seu crescimento, tendo com quem contar e confiar, sentindo nos pais o seu porto seguro.  
     


                                   




Após cinco anos da chegada do Pedro, planejamos o nascimento da nossa segunda filha. Esperamos por esse período em que nosso filho ainda estava muito dependente, e eu precisava dar toda a atenção que ele necessitava. Conversamos bastante com a psicóloga que o acompanhava. Tínhamos muitas dúvidas. Uma delas era como ele reagiria quando percebesse que teria que dividir aquela atenção, que era dada somente a ele, com um outro bebê?

Nós pensávamos em ter um outro filho, por que víamos que o Pedro ficava muito sozinho quando ia brincar. Ele se isolava em seus interesses. Isso nos fez perceber que ele precisava de um irmão. Drª Vânia, a psicóloga que o acompanhava e que o acompanha até hoje, nos respondeu muitas dúvidas e nos mostrou que também iríamos ter algumas dificuldades que normalmente podiam  acontecer com qualquer outra família, que não tem um filho dentro do espectro autista.

A nossa filha nasceu sem qualquer traço de autismo, sempre foi muito independente, falava bastante, puxava o irmão para brincar, e isso ajudou a dar um pulo no desenvolvimento dele.

Foram mudanças grandes na rotina dele que tivemos que trabalhar com muita atenção.   

Tivemos também que buscar a melhor forma de darmos a atenção necessária que nossa filha iria precisar. 
Afinal, era a nossa princesinha !! Nosso sonho e projeto de Deus nas nossas vidas, assim como o Pedro.

Eu conto para os dois que sempre tive o sonho de ter dois filhos ,um menino e uma menina, e que meu sonho havia se tornado realidade. Eles se sentem especiais, desejados e amados. Vejo o brilho nos olhinhos deles!

O Pedro sempre fala que também quer ter dois filhos, quer constituir sua própria família. Assim como nós.
Me emociono, pois vejo que somos exemplos para ele. Recompensa maior
que os pais podem ter, saber que seu filho o tem como referência.


                                     





segunda-feira, 4 de abril de 2016

** A escola !! Parte importante no desenvolvimento social.

 Pedro iniciou a vida escolar aos quatro anos, e sempre estudou em escola regular, e isso foi de extrema importância para o seu desenvolvimento social. Foi um desafio para a escola e para nós também. Muitas escolas dizem fazer inclusão social, mas nem sempre isso acontece na prática. Mas encontrei pessoas que hoje eu posso dizer, tiveram "Um Amor Autista" pelo meu filho. (Logo vou explicar que amor é esse.) Ele estudou no Colégio Cristão Vitória durante onze anos. Não poderia deixar de mencionar o nome dessa escola, pois eles fazem parte da vida do Pedro e da nossa família. Foram muitos os momentos em que precisei ir na escola para acalmar o Pedro, porque ele estava nervoso, agitado, e aparentemente parecia não ter acontecido nada para deixá-lo assim. Mas com a ajuda da psicóloga começamos a analisar o antes, durante e depois desses momentos em que ele se desorganizava, para encontrarmos os motivos daquela agitação. Porque para uma criança autista, uma simples mudança na rotina já é suficiente para deixá-lo agitado. Ele tinha muita facilidade na leitura e em matemática , e pra ele ter que aprender aquilo que ele já sabia era entediante, e ele acabava não gostando de ficar dentro da sala de aula e saía correndo pela escola. Algumas vezes, quando algum coleguinha falava errado, ele queria corrigir mas como não conseguia falar o que sentia, ele mordia ou chutava o colega.  Demoramos um tempo pra perceber que aquela atitude tinha um porquê, e que tínhamos que encontrar uma estratégia para evitar que elas acontecessem. 
 Por isso que o acompanhamento com profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas comportamentais, etc, são fundamentais para nos orientar de maneira correta, e assim conseguirmos ajudar no desenvolvimento social e comportamental de nossos filhos.  


À medida que for publicando no meu blog, irei compartilhar com vocês como foram alguns momentos da infância, da pré-adolescência e também de tudo que aprendemos em todas as fases dele até hoje. E principalmente tudo que ele conseguiu superar e com relatos dele mesmo.


As crianças autistas precisam de muita compreensão, de carinho, paciência e perseverança de todos que convivem com eles, para que eles não mergulhem em um mundo de isolamento. 











domingo, 3 de abril de 2016

** Amor autista.





 Nesse blog eu gostaria de dizer aos pais de crianças e adolescentes com autismo, que  o amor, a perseverança e a união no ambiente familiar foram a base para o desenvolvimento de nosso filho. Assim como foi comigo e com meu esposo, quero encorajá-los a estimular a capacidade de seus filhos, buscando compreender seus limites e acreditando que eles são capazes de superar suas limitações. Pois cada caso é único, diferente um do outro.
                                                                                 

                                          


Recebi de Deus um lindo presente chamado Pedro Henrique, ele é o responsável pela criação desse blog, que tem como título: "Me Conhecendo Autista", por que ele está a cada dia, se conhecendo como autista, em uma fase de descobertas e mudanças que é a adolescência. Ele se sentia diferente dos outros colegas da mesma idade. Porém, ele não se via como autista. Por ele ter vencido tantas limitações e hoje, podendo relatar todas as coisas que tem vivido, suas vontades, seus sonhos, e conquistas ele começou a questionar porque ele era autista ? Até um dia ele me dizer: "Eu não sou mais autista" !!
Por um lado uma alegria e por outro mais um desafio.



“Todo Autista é único!!  Como pessoas únicas, devem ser conduzidos por caminhos que os fazem transcender. Por isso, ensine-os de diversas maneiras, pois ele conseguirá aprender.”

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Já faz algum tempo, que senti no meu coração a vontade de criar um blog para compartilhar com outros pais de crianças autistas, as experiências incríveis que eu e meu esposo André vivemos com nosso filho Pedro. Mas principalmente deixar que ele mesmo relate como ele tem se descoberto a cada dia como um autista. Seus sentimentos, suas dúvidas, medos e etc. 
Pedro Henrique hoje tem 15 anos e está cursando a primeira série do ensino médio. Tem uma linda irmãzinha de 9 anos chamada Giovanna. ( Depois irei falar também como a irmã foi importante no desenvolvimento do Pedro)

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Como começamos a perceber... 

Com um pouco mais de um ano de idade, eu percebia nele um interesse por revistas e livros, mas não para ver figuras, ele ficava observando as palavras. Páginas inteiras só com palavras. Ele começou a ler palavras grandes como administrador, ficava repetindo o que escutava nos comerciais da televisão (ecolalia). Porém, ele não conseguia se comunicar como as outras crianças da mesma idade, como por exemplo, ele me pedia água me puxando para perto de onde a água ficava. Não dava tchau, parecia que não escutava quando eu o chamava, e etc. Para vocês que conhecem, são atitudes comuns de crianças autistas.    

Algumas características como não suportar mudanças na rotina, passar horas brincando com algum objeto de interesse, que sempre era algo relacionado a letras e números, ou quando queria algo, ele me usava como instrumento para conseguir e não pedia como normalmente as crianças fazem, me fizeram perceber que alguma coisa estava errada no desenvolvimento dele. 
Procuramos então uma equipe de profissionais da saúde mental, na época chamado CRIA, (Centro de Referência a Infância e Adolescência). Quando o Pedro estava com dois aninhos, recebemos o diagnóstico de Autismo de Alto Funcionamento ou autismo leve. O diagnóstico precoce foi muito importante, porque esta é a fase onde as crianças buscam interagir com outras crianças e não somente com os pais.     
**Quanto antes a criança for diagnosticada mais cedo pode-se  iniciar um acompanhamento , para que a criança seja estimulada e consiga assim se desenvolver melhor, porém dentro dos limites de cada criança. 



                                                  Pedro com 1 ano e 8 meses 



Quando eu, como mãe, pensava que iria somente ensinar ao meu filho, aprendi que , amor de mãe não basta ser incondicional, tem que ser "Amor Autista". Puro, intenso e perseverante.
A chegada do Pedro mudou a minha vida, da minha família e de todos que o conhecem.
Muitos dizem que o Pedro é um "garoto apaixonante", por onde ele passa faz amigos, e deixa sua marca de carinho e doçura.